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Não dá mais para viver assim

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O que me surpreendeu nos protestos pelo direito à habitação e pelo custo de vida em Portugal, que culminaram no confronto entre participantes e as forças de autoridade na Praça D. João I, no Porto, não foi a carga policial violenta e desproporcional contra os manifestantes — próprio de quem é forte com os fracos e fraco com os fortes, veja-se a falta de intervenção da polícia em certos bairros problemáticos e  outros misturados com várias etnias. O que causa admiração é a satisfação dos restantes cidadãos com as bastonadas que por lá foram distribuídas, o gozo, a falta de empatia e solidariedade por quem luta contra a criminosa especulação imobiliária. A vida muda repentinamente, nada é garantido: hoje temos habitação própria, amanhã sofrer com rendas sufocantes, ter que alugar um colchão ou beliche, um "quarto" com divisórias em pladur ou acabar num qualquer banco de um jardim. E também irás dizer que 'não dá mais para viver assim'.

O problema da habitação

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  As medidas semelhantes às de outros países europeus, tomadas pelo primeiro-ministro, para responder à crise da habitação em Portugal, fizeram "cair o Carmo e a Trindade". Suponho que para muitos "empresários hoteleiros" seja normal alugar colchões a imigrantes para dormir, arrendar um quarto ou uma casa sobrelotada, subalugar apartamentos com recurso a divisórias em pladur para lucrar mais, expulsar as pessoas dos centros históricos das grandes cidades ou o senhorio despejar inquilinos que não conseguem pagar rendas altíssimas, muitas vezes em espaços sem condições. É chocante ter a consciência de que há mais de 700 000 imóveis vazios e 100 000 casas de Alojamento Local sabendo que há tanta gente sem tecto, quando existem famílias com a "casa às costas" à mercê de um qualquer senhorio ganancioso resultante de um mercado de arrendamento permissivo. A habitação é um direito constitucional que não pode estar sujeito ao negócio da especulação imobiliária nem...