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A tragicomédia venezuelana

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  O filósofo espanhol Ortega Y Gasset disse um dia que "ser de esquerda é como ser de direita, uma das maneiras que o homem pode escolher para ser um imbecil". Talvez seja este o ponto de partida para falarmos da situação da Venezuela esquecendo ideologias políticas e a cassete anti-imperialista. Claro que existe a cobiça pelas suas imensas reservas de petróleo por americanos, russos e chineses, mas alguém acha legítimo um governo torturar e silenciar opositores, calar a comunicação social, controlar o sistema judicial e efectuar detenções arbitrárias. O chavismo abriu a porta para a destruição do país, desgraçados anos onde o petróleo financiou tudo,  programas sociais e subsídios para chegarmos ao ponto de o salário mínimo pagar apenas um rolo de papel higiénico. Que superioridade moral tem alguém para defender um regime suportado por fraudes eleitorais, onde 90% da população não consegue pagar pela alimentação diária, onde 60% vive na pobreza extrema e onde 10% já fugiu do...

Acordar venezuelano

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Maduro deixou apodrecer o sonho de Hugo Chavez, a "Grande Pátria Bolivariana" formada pelos países da América Latina não foi colhida pela maioria dos venezuelanos nas últimas eleições legislativas . Parece que estes acordaram de um sono profundo de 16 anos, que nem a máquina de propaganda "chavista" escondeu. Um país sustentado a petróleo mas que raciona os bens de primeira necessidade, que vê a sua dívida pública aumentar, um regime que professa a liberdade mas encarcera os oposicionistas, com uma galopante inflação, com o poder judicial refém do regime, com corrupção, apagões de energia, criminalidade e falta de oportunidades de trabalho.

Alucinações socialistas

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  As alucinações do presidente venezuelano, Maduro, continuam a marcar a actualidade e a ridicularizar o próprio socialismo. Primeiro quis governar por decreto durante um ano, e , entre aparições do defunto Chavéz em forma de pássaro até ao surgimento da própria fotografia num túnel de Caracas, decide agora decretar a chegada do Natal no dia 1 de Novembro para derrotar a "amargura". Pensava eu que o socialismo não se padecia com o consumismo da época natalícia à moda do "neoliberalismo". Esta angústia é o medo da sua imaginação fértil não conseguir justificar aos pobres venezuelanos o caos económico em que se encontra o país, o crime, as constantes falhas de energia, as faltas nas lojas de produtos básicos como farinha, açúcar, manteiga, sabonetes e papel higiénico, na nação que tem as mais vastas reservas de petróleo do mundo!  

Aves raras

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  Um passarinho disse-me que Maduro iria ganhar as eleições presidenciais na Venezuela, nem que fosse por meio voto de diferença . Cantarolou-me que, usar bigode ao estilo revolucionário, vestir fato de treino e encarnar o chavismo, é salvo conduto para governar. Assobiou que ser populista na América Latina e declamar ódio aos Estados Unidos é sinónimo de democracia e de sucesso político. No entanto, quando as jazidas de petróleo do país acabarem, é previsível que o pio do passarinho se cale para sempre.

A herança de Chávez

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  Se bem que Chávez tivesse levado à letra a palavra socialismo e por pretensamente ter diminuído a pobreza, não posso concordar com o endeusamento de tal figura. As suas políticas destiladas à custa do petróleo secaram a  própria democracia e reprimiram vozes dissonantes. De insulto fácil , de um antiamericanismo doentio , o chavismo deixa uma economia perigosamente dependente dos hidrocarbonetos, do populismo histérico, da insegurança urbana e dos rumores de envolvimento com os terroristas das FARC colombianas.