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Assalto na autoestrada

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O dia 28 de Maio de 2019 será lembrado como um dos dias mais ridículos protagonizados pela sôfrega maquina fiscal portuguesa. Colocar mesas e tendas no acesso à autoestrada, em Valongo, e com a colaboração da GNR mandar parar todos os condutores para cruzar dados através das matrículas e verificar se existem dívidas ao fisco, faz lembrar regimes totalitários. Ficar apeado na autoestrada por um inspector tributário mais zeloso devido a penhora, à mercê dos olhares de enxovalho de quem passa, mostra que nem todos os contribuintes são tratados da mesma maneira e atenta contra princípios básicos do Estado de direito. 

Hipocrisia fiscal

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  Depois de baixar salários, aumentar a carga horária e diminuir o período de férias, depois de cortar subsídios de férias e Natal, depois de tentar rescisões por mútuo acordo, de pressionar despedimentos e requalificações no sector, naquilo que ficou conhecido como o maior ataque à Função Pública de que há memória, o Governo, num passe de pura hipocrisia, decidiu atribuir um suplemento remuneratório aos funcionários da Administração Fiscal  para premiar a produtividade. Sublime ironia: a classe dispensável que pagou a crise e "contribuiu para esvaziar os cofres", que foi salva in extremis diversas vezes pelo Tribunal Constitucional , é agora considerada  peça insubstituível na tresloucada máquina fiscal, digno do maior fingimento político, onde alguns funcionários públicos passaram a ser filhos, outros enteados.

Eclipse fiscal

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  É como um eclipse , quando a lua oculta a luz do sol, como nos sentimos na Terra, parcialmente enganados quando um contribuinte comum é tratado de forma diferenciada em relação aos VIP, uma bolsa de contribuintes "diferentes", sobretudo provenientes da área política. Só colocando os óculos especiais conseguimos vislumbrar tamanha desfaçatez, aqueles protegidos cujo cadastro fiscal foi aplicado um filtro que detecta quem pretenda aceder "indevidamente" à "Bolsa VIP ", e os outros, contribuintes "pé de chinelo" que vivem há muito num eclipse fiscal total, sem filtros e vulneráveis, à mercê do confisco desenfreado e muitas vezes humilhante. 

O Zé e o Pedro

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  O Zé é um vendedor do interior, de fato e gravata coçados, daquele sítio onde "Judas perdeu as botas". O seu velho carro já não pode circular no centro da capital nem nas ex-SCUT, demasiado caras, apenas conduz nas esburacadas "estradas alternativas". Um dia cessou a sua actividade pois arranjou outro trabalho, não aquele dos seus sonhos - consultor ou gestor - mas algo que permitisse alimentar a sua família numerosa e de parcos recursos. Entretanto foi ameaçado com uma penhora pela Segurança Social sobre o seu automóvel devido a uma suposta dívida. O Zé, dentro da sua ingenuidade, tentava ser um cidadão perfeito, mas não tinha relações para tentar resolver esta questão, apenas conhecia o Mota, o dono do café da aldeia. O Pedro era um político bem falante, às vezes recorria ao teleponto, impecavelmente vestido, de fato e gravata da moda e conduzido por motoristas de bólides pagos pelo erário público. Um dia descobriu-se que tinha uma dívida à Segurança Social, emb...