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Filho de peixe sabe nadar

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  Nunca a expressão “filho de peixe sabe nadar” — e atravessar o Atlântico — foi tão bem aplicada na política para explicar o que se passou com Flávio Bolsonaro. Depois da derrota nas urnas, de ser investigado pelo Supremo Tribunal do Brasil por alegada corrupção, lavagem de dinheiro e evasão fiscal, fugiu com a família para os Estados Unidos, ajudado pelos amigos da direita radical e populista, Milei e Trump, copiando o exemplo do pai, Jair Bolsonaro, que já tinha fugido para a Flórida, em 2022, também como perdedor. O bolsonarismo é isto: questionar os resultados das eleições, atacar os tribunais, instigar os seus apoiantes para um Golpe de Estado e criar o caos social necessário para justificar uma intervenção militar.

Não dá mais para viver assim

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O que me surpreendeu nos protestos pelo direito à habitação e pelo custo de vida em Portugal, que culminaram no confronto entre participantes e as forças de autoridade na Praça D. João I, no Porto, não foi a carga policial violenta e desproporcional contra os manifestantes — próprio de quem é forte com os fracos e fraco com os fortes, veja-se a falta de intervenção da polícia em certos bairros problemáticos e  outros misturados com várias etnias. O que causa admiração é a satisfação dos restantes cidadãos com as bastonadas que por lá foram distribuídas, o gozo, a falta de empatia e solidariedade por quem luta contra a criminosa especulação imobiliária. A vida muda repentinamente, nada é garantido: hoje temos habitação própria, amanhã sofrer com rendas sufocantes, ter que alugar um colchão ou beliche, um "quarto" com divisórias em pladur ou acabar num qualquer banco de um jardim. E também irás dizer que 'não dá mais para viver assim'.

A nova lei do arrendamento

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  Enquanto estávamos distraídos com o pranto das Ronaldetes, a proposta do Governo para aprovar a nova lei do arrendamento avançava. Os senhorios podem exigir um maior número de rendas antecipadas (até três) e cauções de valor livre, recusar a renovação automática de um contrato de prazo certo sem ter de aguardar obrigatoriamente pelos três anos mínimos exigidos até aqui e mexer nos contratos de arrendamento habitacional mais antigos. Ou seja, a crise da habitação vai piorar: há um risco de aumento abrupto dos preços e menor segurança para as famílias com a rapidez dos processos de despejo. Mesmo assim, com o acordo entre o PSD e o Chega perto de ser aprovado em definitivo na Assembleia da República, continuámos a discutir o que não é importante para as nossas vidas, a defender de forma parola birrentos que ganham milhões com o contributo de um dos principais grupos de comunicação social em Portugal.

Guerra de egos

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  A situação da saída de Ronaldo da Seleção Nacional é comparável à história de uma empresa onde havia um funcionário que, pela sua produtividade, fechava os maiores contratos e carregava a equipa às costas. O seu estatuto permitia-lhe até desafiar os sucessivos líderes com a complacência do patrão, principalmente quando estes queriam rodar a equipa. Com o passar dos anos, o seu rendimento profissional caiu e os privilégios foram reduzidos, ao mesmo tempo que foi contratado para a chefia um líder carismático, com um ego tão grande como o do funcionário. Nasceu, então, uma guerra de egos: quem estava habituado a ter tratamento especial e um apreço exagerado por si mesmo perdeu peso na empresa e entrou em conflito, fazendo birras por não admitir que a idade avança e que a concorrência interna aumenta.

O Bom, o Mau e o Vilão

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Desta vez, não houve o alinhamento cósmico que permitiu a Portugal ter os mesmos adversários fofinhos do Euro 2016, nem funcionou o "amuleto da sorte" chamado Luis Montenegro, por isso, a Seleção Nacional acabou derrotada com a Espanha. No Velho Oeste americano, Ronaldo foi endeusado pela comunicação social portuguesa como um homem bom, sem culpa do fracasso ou do seu vedetismo, pela mesma imprensa televisiva que há dez anos ficou sem microfone, arrancado pelo madeirense da mão de um repórter e atirado diretamente para dentro de um lago, em França. Também se descobriu que Roberto Martínez é mau, não soube gerir e rodar os 26 mal convocados, revelando pouca empatia pelos jogadores suplentes. Todo este western foleiro foi realizado pelo presidente da FPF, qual vilão agarrado ao poder, que disse antes do Mundial que "vai dar Portugal" e que "podiam acontecer coisas boas".

Cromofóbicos

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Se os deputados do Chega querem continuar a fazer figuras tristes no Parlamento usando cravos verdes e pretos na lapela, por ocasião das cerimónias do 25 de Abril, é melhor ficarem em casa no próximo ano. Parecem aqueles complexados com a cor vermelha que dizem ter sangue azul ou não suportam ver o Pai Natal vestido de vermelho e branco. Para esses cromofóbicos que têm medo da cor, que têm um transtorno que só permite ver o mundo a cinzento desbotado ou um daltonismo que não enxerga o facto de um golpe militar ter-se transformado numa celebração popular apartidária, fico admirado como tais personagens ainda não se lembraram de criar uma petição para retirar a cor vermelha da bandeira portuguesa!

Alienados da bola

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Numa estação de metro do Porto, em hora de ponta, a composição chega sobrelotada e as pessoas aglomeram-se para entrar. É dia de jogo de futebol, os futeboleiros e desocupados são tantos que quem trabalhou o dia inteiro não consegue regressar a casa e tem de esperar pelo próximo veículo. Quem conseguiu entrar e transformou-se numa sardinha em lata, ouve a conversa típica dos alienados que gravita à volta da bola. Nem uma palavra sobre a guerra no Médio Oriente que encareceu o gasóleo em 49 cêntimos e a gasolina em 26,5 cêntimos, nem uma exclamação sobre os aumentos significativos nos preços que afecta o poder de compra das famílias ou uma manifestação sobre o impacto do custo da energia na economia. O que importa é o golo de logo à noite e a táctica do mister contra a inflação!

Porto Seguro

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Os resultados das últimas eleições presidenciais levaram a democracia até um porto Seguro, apesar de muitos "marinheiros de água doce" prometerem outras rotas, no ponto mais distante, à direita. Sabemos que é um refúgio temporário, cada vez mais existem tempestades populistas e correntes fortes originadas por ventos de Oeste que ameaçam o navio. Aproveitemos este tempo de escala, segurança e estabilidade dada pelo novo comandante com sentido de Estado para preparar uma nova viagem por mares tortuosos, sabendo que os piratas modernos estão sempre à espreita, prontos a desrespeitar as liberdades fundamentais e a subverter a democracia. 

Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és

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O provérbio de Goethe, "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és", adequa-se perfeitamente a Ronaldo. Depois de ter elogiado Donald Trump, "porque ele é um dos tipos que pode fazer com que coisas aconteçam", foi recebido na Casa Branca, tendo jantado ao lado do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, o responsável pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, em 2018, dentro do consulado saudita, em Istambul, conforme um relatório dos serviços secretos americanos. O repasto serviu para homenagear o fidalgo de um regime onde as mulheres são tratadas "abaixo de cão", não podendo ir ao médico sem a presença de um "guardião", em que o consentimento masculino é necessário para abrir uma conta bancária, onde as mães que se divorciam dos seus maridos não podem obter a guarda dos filhos, no lugar em que existe polícia religiosa e que, até há pouco tempo, as mulheres não podiam conduzir, tudo isto branqueado pelos milhões do futebol saudita que os parolos...

Pais disciplinadores da arbitragem

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Antigamente, os árbitros fugiam dos jogadores do FCP, exemplo dado por José Pratas a correr em pânico perseguido por uma série de atletas "azuis e brancos", numa finalíssima da Supertaça, em 1991/1992. Depois, viajaram para o Brasil, como foi o caso de Carlos Calheiros, com a factura a ser debitada pela agência ao FCP, por engano. Mais tarde, passaram a ser recebidos em casa do antigo presidente do FCP, no célebre encontro com o árbitro Augusto Duarte, facto confirmado no processo "Apito Dourado". Agora, usam métodos mais "nobres", talvez por o actual presidente do FCP ser aristocrata, colocando uma televisão no balneário da equipa de arbitragem a transmitir, de forma repetida e contínua, lances polémicos, numa espécie de pais disciplinadores da arbitragem, de forma a constranger o juiz da partida. Não deixa de ser irónico o facto da televisão não poder ser desligada, quando sabemos que existe uma tomada eléctrica no Estádio do Dragão que costuma estar se...

Predadores narcísicos

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Gabriel Mithá Ribeiro, ex-vice-presidente do Chega e antigo deputado da Assembleia da República, disse que André Ventura tem uma patologia a nível mental e que é "um predador narcísico incurável." O tudólogo do Observador defensor do nacionalismo, diz que o racismo deixou de existir no século XXI - menos quando foi rejeitado como vice-presidente da Assembleia da República. No passado,  bajulava o "pai fundador do Chega", que ele era "a cura de uma sociedade mentalmente doente", mas agora afinal é um "demónio vingativo" irracional, tóxico, autoritário, frio e irresponsável. Zangando-se as comadres, sabem-se as verdades de um partido cheio de incongruências, paradoxos, contradições, vinganças, enxameado de oportunistas, de pessoas pouco recomendáveis, de populistas psicóticos desejosos de poder numa guerra de "fachos", perdão, de tachos. 

De regresso à normalidade

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As eleições autárquicas de 2025 sustentaram o PSD como força política dominadora em Portugal, mas com o PS em recuperação, depois do desastre das legislativas que levou à demissão de Pedro Nuno Santos. O bipartidarismo regressou à normalidade pintando o país de laranja e vermelho, e o Chega, partido que propunha reconquistar o Algarve ao estilo de D. Afonso III, ganhou "estrondosamente" três pequenas câmaras, ficando atrás da CDU e do CDS-PP. O partido de André Ventura teve menos de metade dos votos das legislativas, confirmando que é um partido de protesto, de revoltados, que se extinguirá com o tempo, à semelhança do BE. Por fim, em Viseu, o "Cavaquistão" implodiu, e mais a norte, Manuel Pizarro revalidou o título de eterno perdedor "à moda do Porto".

O último não herói americano

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A vida humana é sagrada, seja alguém da direita ou da esquerda política, democrata, republicano, ou mesmo sendo um ultra conservador como Charlie Kirk, assassinado no dia 10, durante um evento na Universidade do Vale do Utah, mas numa cerimónia fúnebre absolutamente medonha, misturando evangelização religiosa com comício político e vingança, conseguiram branquear tal pessoa. Machista, alguém que fazia campanha contra a vacinação e disseminou informações falsas durante a pandemia de Covid-19, envolvido nas manifestações que culminaram na invasão ao Capitólio e que negou as alterações climáticas, uma personalidade que apelou à absolvição do agente que matou George Floyd e que promoveu a teoria de uma suposta fraude nas eleições presidenciais americanas de 2020 – foi transformado num mártir, elevado à condição de herói americano, meses antes de uma deputada estadual democrata e o seu marido terem sido assassinados noutro caso de violência política sem que tenha existido semelhante hister...

Fogos em roda livre

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Os fogos que lavram no nosso país parecem uma etapa saída da Volta a Portugal em Bicicleta, percorrendo as mais bonitas paisagens. Começaram em Ponte da Barca, atravessando parte do Parque Nacional da Peneda-Gerês, deram um salto ao Alvão e dirigiram-se ao Centro, para a serra da Lousã, Açor e Gardunha, acabando a prova com a subida à Torre, em pleno Parque Natural da Serra da Estrela. O fogo foi claramente o vencedor da última edição, apesar dos bombeiros e populações terem ganho alguns contra-relógios e metas volantes, salvando vidas e bens materiais, muito por culpa dos directores desportivos que nem sempre coordenaram bem as operações.

Os irrevogáveis

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Depois de, em 2013, Paulo Portas ter revogado a sua demissão "irrevogável" e ter ficado vice-primeiro-ministro, eis que o Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, pondera candidatar-se à Presidência da República depois de ter dito, em Abril, de forma definitiva, que não era "talhado" para o cargo. Até é possível que o autarca acabe com a crise da habitação em Portugal depois daquele processo que envolveu a imobiliária da família ou se transfira para a SAD do seu amado clube no fim do seu mandato, mas não se prevê nada de bom para quem sempre alimentou guerras entre o norte e o sul, achincalhando a TAP. Um bom slogan político para a sua futura campanha podia ser "Um presidente para todos os portugueses...acima do norte do Douro"!

O pacificador

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O homem que prometeu acabar com a guerra na Ucrânia "em 24 horas" decidiu tomar as dores de Israel e atacar três instalações nucleares do Irão. Donald Trump, o presidente que retornou à Casa Branca em Janeiro com promessas de paz mundial, colocou o Médio Oriente a ferro e fogo, ao mesmo nível da sua insanidade em transformar Gaza num destino turístico mediterrânico. Para tão brilhante "pacificador", só falta meter-se nos conflitos africanos e na antiga Birmânia, bombardear o "amigo" da Coreia do Norte, disputar Caxemira e continuar a escalar as tarifas aduaneiras com a China rumo à Terceira Guerra Mundial.

Um país estranho

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Estranho país este que voltou a eleger para primeiro-ministro alguém que trespassou para a família a empresa de onde recebia avenças quando já era governante, armando-se em vítima e provocando eleições legislativas. País sem memória este que, 51 anos depois do 25 de Abril, parece querer voltar aos momentos mais negros da sua história ao escolher um partido de inspiração fascista para minar a Assembleia da República. Daqui a alguns anos, lembrem-se de dizer aos vossos filhos e netos que votaram no Chega, um partido que utiliza o medo e a propaganda falsa como instrumento de motivação, que em Maio de 2025 cuspiram na democracia e na própria Constituição, abrindo caminho para o autoritarismo e o controlo dos direitos dos cidadãos.

Apagão moral

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Pensei que as memórias da pandemia Covid-19, nomeadamente as cenas de milhares de portugueses a açambarcar bens essenciais, jamais se repetisse. Bastaram algumas horas de um apagão eléctrico para esse egoísmo voltar em força. Já fomos um país de corajosos descobridores, agora só existem cidadãos medrosos que querem encontrar o caminho mais rápido para esvaziar a prateleira de um supermercado ou conquistar o combustível da bomba mais próxima. Foi também um apagão moral, o colapso da sociedade actual, o "salve-se quem puder" contrário ao bem comum, adivinhando-se tempos bastante escuros para o futuro.

Nuno Guerreiro

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Em Agosto do ano passado, nas Festas da Cidade de Valongo, assisti a um concerto de Nuno Guerreiro, envolvido no projeto “Zeca Sempre”, ao lado de outros cantores que revisitavam a obra de José Afonso. Presenciei a sua voz inconfundível que se sobrepunha aos outros músicos do grupo, o seu talento que enchia o palco de luz e aquecia a noite fria. Perdeu-se uma da maiores vozes da música portuguesa, uma alma sensível e diferente que nunca renegou as suas origens.

Moção de desconfiança

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Em vez de criar este forrobodó no Governo e fazer-se de vítima, o primeiro-ministro devia copiar o exemplo de Hernâni Dias, o antigo secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, que tinha criado duas empresas imobiliárias que poderiam beneficiar da lei dos solos, e demitir-se. Preferiu trespassar para a família a empresa de onde recebia avenças quando já era governante, escondendo a violação do dever de exclusividade, indo de encontro ao conflito de interesses. Luís Montenegro vai conseguir aprovar a única moção possível - a da desconfiança - por mais serviçais políticos que envie para intoxicar a opinião pública portuguesa na tentativa de limpar-lhe a imagem.