Nuvens negras sobre Tahrir
Dos candidatos à presidência do Egipto, entre alguém ligado ao antigo regime de Mubarak e outro candidato conotado com o fanatismo da Irmandade Muçulmana, veio o Diabo e escolheu o último. Esta eleição não é nada mais do que terreno fértil para levar ao poder fanáticos religiosos que marginalizam as mulheres e reavivam ódios étnico-geográficos antigos através da ignorância e da miséria. Nuvens negras pairam sobre a Praça Tahrir perante o evidente retrocesso do país, mas tenho a certeza que não faltará muito tempo para que se volte a clamar por uma nova "Primavera Árabe".
Como é irónico, não é meu caro? Tantos idiotas úteis aqui do Ocidente - certamente esquerdistas - aplaudiram e falaram tão bem da propalada Primavera Árabe, que iria instaurar a democracia no mundo árabe onde vivem povos oprimidos, e não é que esta mesmo democracia está, ironicamente, a aniquilá-la em favor do fundamentalismo islâmico? A Primavera Árabe está a ser um excelente pretexto para o reforço da islamização e nós, Europa, que os temos perto de nós - e imensos entre nós - ainda havemos de pagar bem caro pelo apoio que demos aos "democratas". E desta vez já não temos cruzados para defenderem a nossa civilização como aconteceu no passado.
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