Wikileaks
Não sei muito bem onde é a fronteira da liberdade da informação mas de certeza que não será no terreno onde a Wikileaks tem actuado. A sua política de terra queimada substitui o jornalismo pelo voyeurismo da opinião pública, ao melhor estilo de se saber qual é a cor do papel higiénico que os diplomatas usam. Como se não houvesse segredo de estado nem a diplomacia não fosse um manual de boas maneiras. Reconheço o papel relevante de Julian Assange na denúncia das violações de direitos humanos mas a sua organização acaba por fazer o mesmo que tanto a sua missão divina e protagonismo reclamam: espiar.
Ó Dylan! Se alguém tiver que espiar, que sejam os cidadãos a espiar a democracia e não a democracia a espiar os cidadãos. A informação sobre os governos nunca é demais...
ResponderEliminarComo em tudo, há que actuar com bom senso, mas pelo que vi da sua (Wikileaks) conduta até acho que o fazem. Apontam fontes, apontam outros dados que podem corroborar, etc... a informação está lá e cada um é livre de fazer o que quer com ela... eu, por exemplo, não vou lá, mas gosto de sentir que há alguém a vigiar os grandes, os outros, "the man", o que quer que seja.
Johnny,
EliminarPenso que ainda é muito cedo para averiguar a credibilidade da informação dada pela Wikileaks e saber quem realmente poderá estar por detrás dela...
Ainda hoje, a respeito da estória do BCP e dos aviões norte-americanos que traziam presos de Guantánamo sobrevoando território português, verificou-se que a interpretação dada nos telegramas por essa organização não foi a mais correcta. Desde fantasias a exageros, há de tudo um pouco.
A liberdade de informação também tem limites, mesmo dentro de democracias, principalmente quando colidem com segredos de estado, normais e próprios da diplomacia.
Só elogio a disponibilidade da informação. Pelo que vi e ouvi dele (nomeadamente numa daquelas conferências TED), eles põem a informação como um base de dados à qual toda a gente é livre de ir buscar informação... depois, é uma questão de jornalismo... lá está, e bom senso... porque até sem Wikileaks há extrapolações e exageros de informação... olhe-se para o caso Freeport em que há vídeos, testemunhos, etc... mas houve vários ângulos de interpretação.
EliminarConcluindo, por princípio, acho bem a disponibilidade e acessibilidade da informação. O resto, é o resto... e em cada caso tem de se ver.
bem visto.
ResponderEliminarNão penso da mesma maneira, muitos dos documentos chegam lá através de pessoas que estiveram envolvidas na sua feitura e sabem que passando pelo Wikileaks eles serão postos cá fora sem se saber a sua origem.
ResponderEliminarAcho que estamos fartos de ouvir os poderosos dizer uma coisa e estar, precisamente, a fazer outra, os jornalistas que deram a vida para se saberem muitas verdades já acabaram e com a desculpa dos sigilos e dos "altos interesses" nós vamos ficando mais à margem do mundo real, aliás, aquela de Berlusconi dizer que havia de haver uma lei para quem escreve blogues e deveria ter carteira profissional é coisa que passará pela cabeça de muitos poderosos e só se não puderem é que não tentam fechar-nos a boca.
Para mim é o começo de uma nova Era e daqui, virá ainda a possibilidade de continuar a haver ou não, liberdade de expressão e conseguir impôr um pouco de respeito e moralidade naqueles que se julgam Deuses e que a coberto de "leis à medida" fazem o que querem e lhes apetece.
Os jornalistas ficam com uma porta aberta para falarem de determinados assuntos sem serem presentes a tribunal por difamação ou outra desculpa e se viste aquele programa sobre corrupção na sic em que pessoas, por cá, denunciaram determinadas situações e que elas é que ficaram com as carreiras estragadas e sofreram ameaças enquanto quem prevaricou não lhe aconteceu nada... mostra a necessidade de uma saída, para começar a moralizar quem se sente dono e senhor do sistema.
Em vez de inventarem um site como o que querem criar cá, onde os cidadãos vão fazer as suas queixas ( mesmo anonimamente, a origem pode ser encontrada) melhor será haver muitas leaks iguais a esta ou o futuro será cheio de leis onde o poder terá cada vez mais poder, onde não haverá nada nem ninguém para o supervisionar ou controlar.
Nós temos que saber o que andam a fazer... para conseguir separar o trigo do joio, não podemos ser simples ovelhas no redil e comer a palha que nos tentam pôr à frente.
Entre o mal menor e maior... há que escolher ;)
Bjos
"Os jornalistas ficam com uma porta aberta para falarem de determinados assuntos".
EliminarNão me parece. Os jornalistas fecharam todo um mundo de contactos e informações. Só uma pessoa muita ingénua pode pensar que isto vai ficar assim. Os EUA vão mudar o seu relacionamento com a imprensa até ao ponto das fontes secarem.
Não podem secar tanto como imaginas, eles têm uma lei que obriga ao fim de 20 anos tornar todos os documentos públicos e qualquer cidadão os pode consultar... ao contrário de muitos países europeus. Quando falo dos jornalistas estou especificamente a falar dos de cá que têm visto aumentar os seus casos em tribunal e onde cada patrão já começa a ter o poder de eles noticiarem o que eles querem.
ResponderEliminarAs Leis dos EUA baseadas no chamado precedente, nesta altura, não têm lei para condenar este caso porque já houve algo idêntico (menor) em que eles quiseram calar a fonte mas o Supremo Tribunal não deixou.
Não digo que um acidentezinho não fosse possível ;))) mas neste caso estão fritos porque são milhares de pessoas a contribuir para a fuga e não um ou meia dúzia.
Acredita que vai ser uma nova Era e eu só tenho pena de ter nascido tão cedo e de só saber "arranhar" num computador lol
Bjos
Este caso da Wikileaks vai marcar, sem sombra de dúvida, o final deste ano de 2010. Nunca fui ao site mas as coisas que têm vindo a aparecer na comunicação social também não verdadeiras novidades, muitas das informações já circulavam por aí não é verdade?! Vamos lá ver se esta "torneira" vai pingando mais alguma coisa ou se alguém arranja maneira de a fechar. Até agora as tentativas têm sido infrutiferas.
ResponderEliminarJá agora aproveito para agradecer os teus comentários no meu blogue e dizer-te que dei resposta aos comentários que fizeste ao post sobre a pílula do dia seguinte e no post sobre o preço dos medicamentos.