Impunidade em Monsaraz

 


Foto de Carlos Andrea 


 


Compreende-se que - num País onde casos mediáticos como o "Apito Dourado"e "Casa Pia" diluem-se em manobras processuais emperrando os tribunais, acabando-se com a noção que não foi feita justiça - matar ilegalmente um touro em Monsaraz frente a uma multidão histérica e sedenta de sangue, vai acabar como nos anos anteriores: com a conivência das autoridades, da autarquia, do Governo Civil de Évora, com a impotência da Inspecção-Geral das Actividades Culturais e, finalmente, com o arquivamento da praxe no Tribunal de Comarca. Parecem saídos de um argumento de um filme de Kusturica - uma comédia burlesca onde se conclui que o culpado foi o touro!
 

Comentários

  1. O que mais me irrita neste país... é não haver Leis iguais para todos.

    Bjos

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  2. Caro amigo e sr. Dylan: li o seu tópico sobre Monsaraz e comungo do seu reparo sobre o assunto versado. Digo-lhe que, há tempos, estive eventualmente na praça em questão, pois ao passar por ela reparei num garraiozito amarrado que era objecto das mais miseráveis sevícias, humilhações e gozo por parte de uma horda de rapazes embriagados, como muito bem diz, pelo cheiro a sangue e cultores duma distorcida noção de liberdade. Senti-me impressionado. Ao que este meu inditoso País desceu! Dir-me-á que haverá excepções: também creio tal só que, infelizmente, não passam disso, de excepções. Sem ser movido por qualquer obsessão não posso, contudo, deixar de estabelecer também um paralelismo com determinado clube, concretamente e há que chamá-lo pelo nome, o FCPorto, que pratica os maiores e mais abjectos desmandos pensando fazer-se grande, mas que não passa de uma agremiação menor. E não é só por via dos seus seguidores que até, de certa forma, poderia ser considerado normal, mas sim pelos seu chefes e mentores, que actuam sem vergonha, sem pejo, utilizando meios reconhecidamente sanguinários e humilhantes. Porquê? Diz o meu amigo e muito bem: porque têm a conivência e até possível incitamento das ditas autoridades que garantem a mais completa impunidade para todas as suas tropelias. Como foi possível tudo isto?

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  3. Foi para isso que houve o 25 de Abril...

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  4. duas vergonhas, a morte do touro e a ineficácia das autoridades.

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  5. Bom dia, Dylan ...

    Respeito a sua posição, claro, mas sou pela tradição.
    Já assisti, nos anos 90 e numa altura em que a comunicação social não tinha noticiado o evento, a duas festas em Monsaraz... e onde o Dylan vê uma multidão histérica e sedenta de sangue, eu vi, e vejo, um povo a preservar a sua cultura.

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    Respostas
    1. Salvador,

      Com todo o respeito e consideração que tenho por por si, deixe-me perguntar-lhe:
      - Não lhe causa um bocado de asco espetarem uma lâmina no touro à frente de crianças, deixando o bicho esvair-se em sangue até à agonizante morte?!

      A questão da tradição é um argumento gasto - que se preserve as tradições, ou lá o que se quiser dizer com isso, mas que não se cause sofrimento de nenhuma espécie no animal? Sabia que o touro tem sistema nervoso central, como os humanos?
      Sabe, em nome da tradição são cometidos actos impensáveis para os dias de hoje. A ablação genital feminina é uma dessas fantásticas tradições...
      Mas como falamos de touros, deixo-lhe um exemplo dessa fantástica cultura taurina:
      http://www.youtube.com/watch?v=YvnTovLuzWk&feature=player_embedded

      Ah, corajosos!

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  6. Abaixo qualquer pseudo-espectáculo taurino!

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