Fanatismo religioso
Só perca por tardia a entrada em vigor em Espanha da lei que proíbe o uso de véu integral como é o caso da burca. Custa a acreditar que todas essas mulheres escolheram livremente estes adereços, sujeitando-se a uma vergonhosa segregação social, a uma indigna submissão, a uma falta de adaptação pela cultura e desrespeito pela normas de segurança dos países de acolhimento. Como quer fazer crer a esquerda europeia, acenando hipocritamente com a bandeira da liberdade individual, isto não é um conflito entre o ocidente e o islão. O problema não está no traje mas naquilo que representa - a interpretação fundamentalista da Lei Islâmica onde não existe separação entre a religião e o direito. Só uma lição civilizacional de gerações mais novas que coloque a mulher num patamar idêntico ao do homem pode mudar mentes medievais.
Para mim, a burca seria um símbolo religioso se os homens, também, a usassem ;) ela faz sumir qualquer traço de individualidade, só nas mulheres.
ResponderEliminarOs países que defendem a igualdade entre homens e mulheres não podem, de jeito nenhum, autorizar dentro das suas fronteiras aquilo que não está de acordo com os princípios mais básicos das suas Constituições.
O respeito tem que ser em primeiro lugar pelas leis e costumes do país onde se quer ir ou estar.
Beijinhos
Sem dúvida, Isa. É tão óbvio...
EliminarNão é temática fácil, mas no geral estou inteiramente de acordo contigo. Não porque quando vamos a um país árabe tenhamos de nos trajar como eles, isso é um grande mito. Mas apenas porque é um símbolo do mais retrógrado fundamentalismo religioso.
ResponderEliminarSabe a minha esposa que no deserto dá jeito usar véu... por razões práticas. Nunca por razões religiosas ou sociais. Na Europa não há deserto. E se não gostarem, amigo, a porta da rua é serventia da casa.
O que realmente deixa pena é ver que é necessária uma Lei para que estas pessoas compreendam a liberdade. Não deixa de ser irónico que tenha de ser proibir para libertar. Mas se só assim entendem...
E atenção, estamos a falar de niqab ou burka. Não de véu, que pode continuar a ser utilizado, tanto quanto sei.
No entanto, fico à espera da lei que proíbe o traje judaico ortodoxo, tanto para homens como para mulheres, se se provar que esta lei é essencialmente anti-fundamentalismo. Se é questão de segurança (identificação, etc), tudo bem. Caso contrário, chapéus de aba larga e caracolinhos até aos pés devem ser imediatamente proibidos. Isto para não falar do facto de as mulheres desses fulaninhos nem sequer estarem autorizadas a sair de casa!!!!
Parece que é das poucas matérias que estamos de acordo!...
EliminarEu sou contra a burca, mas... acho contraditório que se proíba como forma de libertar, de democratizar...
ResponderEliminarA verdade é que há mulheres que se sentem ofendidas se virem as filhas sem a burca. Fruto de uma educação sexista, eu sei. Mas a nossa educação também nos condiciona as escolhas e a mim também me caía mal se um qualquer Governo me proibisse de usar seja o que for... símbolo religioso ou não...
Proibem as burcas, mas mantêm os crucifixos nas salas de aulas... e depois querem que haja integração e aceitação.
Integração não é sermos todos iguais, mas vivermos todos sob a mesma lei, mantendo as nossas diferenças.
Vejo pontos a favor e contra... se me coubesse a decisão, seria complicado :)
Não parece ser complicado se houver respeito. Por exemplo, não te descalçarias ao entrares numa Mesquita? Usarias uma bruta mini-saia nesses países fundamentalistas?!
EliminarO mesmo se aplica a imigrantes residentes - apenas o respeito pela normas institucionalizadas, quer de convivência social quer cultural.
é difícil de acreditar, mas ainda há mulheres obrigadas a usar o dito véu...
ResponderEliminarE não será a proibir o uso dele que as mentes ditas medievais irão desaparecer ou colocar as mulheres no mesmo patamar que o homem , não há lei alguma nem poderá ser criada qualquer lei que leve à concretização disso... Alías isso tem que ser mudado e gerido pela mente masculina de onde provem..
Mas acho que não deveria ser proibido porque lá está o véu tem um significado...
Se compararmos a religião Cristã era como se houvesse uma lei a dizer que os cristão estão proibidos de rezar ou ir à igreja. É a mesma coisa.
Em muitos países islâmicos, o véu parcial não é obrigatório, muito menos o integral. Tudo depende do fundamentalismo dos seus responsáveis que usam a religião para determinados fins.
EliminarNeste género de coisas eu continuo a afirmar "em Roma, sê Romano".
ResponderEliminarQuem vai para um país que não o seu tem mais é que acatar os hábitos, costumes, leis desse país, quem não gosta ou não aceita que não vá.
Para exemplificar isto o melhor texto que conheço é o discurso do presidente australiano. Conheces?
Não conheço o discurso do presidente australiano.
EliminarPodes vê-lo aqui (foi um dos meus primeiros post's):
Eliminarhttp://pronuncianorte.blogspot.com/2008/12/por-falar-em-xenofobia.html
Vai lá ler, vai... vale mesmo a pena. :)
Ui, estou sem palavras! Isso foi forte demais... Temo pela segurança do povo australiano.
EliminarComo disse lá em meu blog, concordo contigo.
ResponderEliminarAbs!
Não quero maçar mas este discurso do PM Australiano, Kevin Rudd, merecia ter tido na Europa um destaque que julgo não ter tido.
ResponderEliminar'São os imigrantes e não os Australianos que têm de se adaptar.'
'A nossa cultura foi desenvolvida através de dois séculos de lutas, experiências e vitórias por milhões de homens e mulheres que buscaram liberdade.'
'Falamos principalmente o INGLÊS, não espanhol, libanês, árabe, chinês, japonês, russo ou qualquer outro idioma. Se deseja tornar-se parte de nossa sociedade, aprenda o idioma!'
'A maioria dos australianos crê em Deus. Não se trata de um movimento político de direita, mas um facto, porque homens e mulheres cristãos fundaram esta nação em princípios cristãos, e isto está claramente documentado. É certamente apropriado exibir isto nas paredes de nossas escolas. Se Deus o ofender, então sugiro que você considere outra parte do mundo como seu novo lar, porque Deus faz parte de nossa cultura.'
'Aceitaremos suas convicções sem as questionar. Tudo o que pedimos é que aceitem as nossas, e assim possamos viver em harmonia.'
'Este é nosso país, a nossa terra e o nosso estilo de vida. Tem a oportunidade para desfrutar disso. Mas se quer reclamar, lamentar ou queixar-se da nossa bandeira, das nossas convicções cristãs ou do nosso modo de vida, peço-lhe que usufrua duma outra grande liberdade do australiano, o direito de ir embora.'
Acrescento eu, que no frenesim do politicamente correcto respeito pelas minorias, é frequente esquecerem-se os direitos das maiorias. Por vezes sinto que a sociedade me considera devedor dum pedido de desculpas ao meu filho por não ser emigrante, nem gay, nem muçulmano, nem vegetariano, nem activista do ambiente, nem fumador, nem sequer simpatizante do FCP. Não levem a mal minha sinceridade.
Caro Paulo,
EliminarNão maça nada, muito pelo contrário - a sua sinceridade transformou-se num belo comentário que muita gente pensa mas não o diz...