Jornalismo faccioso


Há um jornal semanário do Porto que gosta de reflectir sobre os problemas do norte de Portugal e defende a regionalização administrativa. Sem dúvida que é um projecto nobre, no entanto, os valores da "pluralidade, rigor, isenção e honestidade" que tanto apregoa, deveriam ser usados em todas as situações e não só aquelas em que "malhar" em Lisboa é a palavra de ordem. Por exemplo, quando os seus iluminados opinadores ironizam com a ajuda da Câmara Municipal da capital ao Benfica, convinha lembrarem-se da condenação do ex-presidente da Câmara Municipal do Porto por beneficiar o Boavista FC ou da nebulosa execução do Plano Pomenor das Antas em que o FC Porto foi parte envolvida. Aliás, era bom dissertarem sobre o Centro de Treinos Olival-Crestuma e como foi parar às mãos desse mesmo clube. E se o futebol é um tema gasto, uma leitura às derrapagens financeiras na construção do Metro do Porto, da Casa da Música, e na ampliação do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, seria interessante. Como ninguém lhes deu foral para falarem em nome do norte, só posso pensar que essa maneira complexada de fazer jornalismo é uma forma de promoção pessoal e visibilidade que deveria ser canalizada para eventos que substituíssem a perda do Red Bull Air Race afim de evitarem o perigo de se tornarem num jornal local.


Comentários

  1. Regionalismos à parte.
    Claro que a prepotência e o nepotismo só são maus em Lisboa. Claro que a ditadura que se instalou no futebol a partir "da conquista da Liberdade" não tem nada a ver com esse projecto da regionalização nem com as entidades que a promovem. Claro. Andamos todos a dormir!

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  2. Muito bom meu amigo, infelizmente há pessoas ou entidades ou até mesmo clubes que se consideram no direito de advogar em nome de um colectivo.

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  3. Há por aí muitos jornalistas que de jornalistas só têm o nome, porque o que eles me fazem lembrar são mesmo aqueles animais (não desfazendo dos bichos que até são simpáticos) que usam constantemente... palas nos olhos! :)

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  4. Caro Dylan's já estamos habituados a essa demagogia barata. Normalmente só vemos os defeitos dos outros. Esse deve ser outro que defende a regionalização à P. da Costa.
    Abraço.

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  5. Apesar de esse jornal ter feito no seu primeiro número uma declaração de interesses, nomeadamente o facto de ser favorável à regionalização, se há coisa que não suporto neste jornalismo dito moderno é o facto de ser faccioso, de tomar posições para conquistar um nicho de leitores. Há lá coisa mais triste do que pessoas que se +rendem a um jornal porque ele vai ao encontro daquilo que a pessoa quer ler? Não compreendo. Vai totalmente contra toda a ética e deontologia do jornalismo, mas parece que é cada vez mais moda...

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  6. Caro amigo Dylan: uma das características deontológicas dos ditos meios de comunicação, está bom de ver, deve ser a sua isenção editorial. Ora tal, infelizmente, não se verifica em toda a imprensa portuguesa. Então, no que toca ao Benfica, não encontro um único jornal sequer, nenhuma rádio nem televisão que seja isenta e, o que é pior, veiculam uma nítida má fé que muitas vezes descamba para um ódio visceral. Mas porquê? Compreendo que muitos dos que se intitulam jornalistas, estejam a lutar pela sua sobrevivência, mas entendo que esta só será legítima se preservar a verdade e repudiar a mentira. Em tempos ainda do outro regime, um determinado jornal que em certa altura apareceu, remeteu-me um exemplar de lançamento no qual traçava as futuras linhas de procedimento e que, segundo lá vinha escrito, eram a isenção e a verdade; porém, logo ao lado, a par das fotos de Salazar e Tomás, proclamava que Portugal só tinha sido e só seria grande com a ditadura. Claro que o devolvi logo, mas disse a razão por que o fazia. Infelizmente os média deste País, apesar de tudo ter mudado, continuam bem piores, com o culto da mentira, do ódio e da chicana social. Faz-me muita confusão e, por isso, já há muito, muito mesmo, que não gasto nem um cêntimo a comprá-los. Seria um contra-senso sustentar, ainda por cima, aqueles que nos ofendem e atacam nas nossas convicções. E hoje nem precisamos disso pois, com um portátil temos o mundo na mão e só lemos e vemos o que nos interessar.
    A regionalização seria, porventura, aceitável se fosse séria. Quando do seu referendo, diz-me um amigo meu benfiquista; "...se o sim ganhar, vou mudar-me para o sul, pois não tenha a mínima dúvida que o Sr. Costa irá instrumentalizar a região Norte para a prossecução dos seus obscuros intentos." Não advogo a censura, mas que que o jornalismo português em todas as suas vertentes é um jornalismo de sarjeta, lá isso é. E eu fujo dele porque gosto de respirar ar puro.
    Um abraço!

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  7. Eu só não consigo ainda compreender porque é que há tanta gente que insiste em confundir portistas com portuenses e o FCP com o norte do país.
    Uma pergunta: quem é que ofereceu o centro de estágios do FCP ao FCP? E sendo o estádio do Dragão o mais caro de todos os que foram feitos/remodelados para o Euro2004, quem é que foi realmente o mais beneficiado?
    Para mim isso tudo se resume a complexos e inveja.

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