O patrão português
http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/NoticiasDinheiro/2009/10/van-zeller-diz-que-nao-deve-haver-aumento-do-salario-minimo.htm
As palavras do Eng. Van Zeller, Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, de que "os salários baixos são necessários para 25% das nossas exportações", opondo-se veementemente ao aumento do salário mínimo, é de quem fala de barriga cheia, pois não se encontra entre aqueles 300 000 trabalhadores que auferem 450 euros mensais.
O senhor saberá que a maior parte dos patrões portugueses tem uma baixa escolaridade aliada a uma ainda pior qualificação profissional? Não será isto o verdadeiro entrave ao desenvolvimento empresarial do mundo moderno e às consequentes exportações que tanto apregoa? No país dos patrões e dos doutores, é bom relembrar que o mero trabalhador é o dínamo de qualquer empresa, e também por isso, deve ser condignamente pago e motivado.
Travestido de "quadro superior", o patrão português almeja ser um empresário de sucesso - com um ar sério e a característica gravata da moda -, mas o que melhor consegue fazer é aumentar o fosso entre os salários dos trabalhadores e os de topo. Resquícios do Estado Novo onde faltam-lhes destreza, criatividade, inovação, e fundamentalmente, empatia.
Concordo plenamente consigo. Os pobres é que pagam a crise, sempre.
ResponderEliminarO grande problema é que patrões temos muitos, empresários é que temos poucos... e estes, sim, fazem muita falta ao País!
ResponderEliminarEh pá, até que enfim encontro alguém com olhinhos na cara!! Toda a gente tem medo de dizer isto!!
ResponderEliminarInfelizmente essa é a mais pura das verdades. E infelizmente pelos vistos eu lá vou continuando na empresa do segundo português mais rico do mundo. Durante as férias, descansado da rotina, pude constatar com os meus próprios olhos os efeitos nefastos da crise... e, a fazer fé nas coisas que os meus colegas me dizem, se calhar mais vale mesmo um pássaro na mão do que dois a voar...
ResponderEliminarInfelizmente, lá está, é esta a realidade.
Que bom poder descarregar a esta hora!
ResponderEliminarSou patroa, actualmente sócia-gerente de 2 empresas (eram 3, mas uma delas, com cerca de 50 trabalhadores fechou recentemente).
Gravata? Nunca usei. Baixa escolaridade? Depende do ponto de vista: tenho duas licenciaturas, uma das quais em Gestão + 2 pós-graduações e um mestrado.
Sabe quais são os maiores entraves ao desenvolvimento empresarial? O maior de todos é o Estado que nos suga até ao tutano. O segundo maior, uma cultura “pagar e morrer quanto mais tarde melhor” (e não tem importância nenhuma porque se houver IVA a pagar ao Estado, nós não deixaremos de o pagar – se não o fizermos a tempo e horas somos logo tratados como criminosos e já estamos a comer com juros filhos da P.). Mas não tem mesmo importância nenhuma ninguém pagar a ninguém porque há os advogados, que não são patrões e são todos licenciados e que vão conseguindo que alguns clientes paguem – ficam é com a maior parte, mas são muita bons porque não pagam salários mínimos. Por fim, temos muitos dos meros trabalhadores (os supostos dínamos de qualquer empresa) que dão cabo do resto: estão nas empresas para receberem o deles, estão-se a borrifar para se são, ou não, produtivos, … e são apenas mais alguns a dizer mal de nós, patrões.
A generalidade dos patrões deste país, com, ou sem, baixa escolaridade são pessoas que arriscam (e arriscam muito nos tempos actuais), que contribuem para a criação de postos de trabalho e de riqueza e que, se as coisas não lhes correrem bem e tiverem que fechar as suas empresas, nem sequer têm direito a subsídio de desemprego (sabia?), … Mas é muito fácil criticá-los quando as suas empresas não podem pagar salários acima dos que pagam! Eles que contraiam empréstimos, se necessário, para pagar salários mais elevados, não é verdade? E quando as coisas derem para o torto,… podem sempre suicidar-se!
Este discurso de quem escreveu este post é racista: a raça dos patrões versus a raça dos trabalhadores.
O que falta à maior parte dos patrões é DINHEIRO! A criatividade e a inovação podem estar na origem de excelentes projectos, mas se não houver dinheiro para os meter em prática de nada servem, meu amigo. Vê-se mesmo que nunca foi patrão!
As associações patronais não têm estado nada bem nesta questão do aumento do SMN...
ResponderEliminarAs associações patronais foram constituídas para defender e promover os interesses das entidades patronais!
ResponderEliminarComo eu gostaria que no meu país não houvesse salários abaixo dos 1.000 eur.! Por muitos motivos e até porque se assim fosse estaria rodeada de gente muito mais feliz.
Mas, concentremo-nos no aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) para 2010. Não querendo estar aqui a analisar os impactos que poderão daí resultar para a economia nacional vou atrever-me a deixar aqui algumas opiniões.
Em primeiro lugar, parece-me que as generalizações podem ser perigosas. Da mesma forma que, por exemplo, os patrões não devem ser todos “metidos no mesmo saco”, é importante que se diga que: enquanto as empresas do patrão do Firehead, entre outras, podem perfeitamente suportar custos mais elevados (agravados por aumentos salariais, por exemplo), para a maioria das Micro e PMEs portuguesas, e até para algumas Grandes Empresas, em 2010 ser-lhes-á extremamente difícil aguentar um aumento nos Custos resultante de aumentos salariais. Há sectores mais complicados que outros e dentro de cada um há casos e casos. É fácil de entender porque é que muitas das empresas que exportam dependem de salários baixos. Pense-se nas empresas têxteis e do calçado que têm como concorrentes empresas chinesas que pagam salários ainda mais miseravelmente baixos. Depois de um ano de 2009 atípico e tão complicado consegue-se, facilmente, compreender a preocupação da CIP em relação a estas empresas portuguesas exportadoras. Mas não são só as empresas que dependem de salários baixos que correm o risco de ficar mais fragilizadas, ou até mesmo de fechar, se o SMN subir. Tal subida terá impacto nos restantes vencimentos e há muitas empresas, de diversas dimensões e de diversos sectores, que se encontram demasiado fragilizadas e que não conseguirão suportar tais aumentos nos Custos. Não é, pois, de estranhar que a CIP defenda o congelamento do SMN para 2010, posição igualmente assumida pela Confederação do Comércio de Portugal que já veio dizer que havendo aumento do SMN muitas das empresas de comércio e serviços correm o risco de fechar. E até o Governador do Banco de Portugal recomendou alguma moderação salarial para 2010.
Todos nós concordamos que é quase impossível uma pessoa sobreviver quando aufere um salário de 450,00 eur, que, na prática, se traduz em ficar, mensalmente, com 400,50 eur (após os 11% de descontos para a segurança social da parte do trabalhador). Mas, ESTE ANO, não me parece oportuno aumentar a RMMG! Vamos chegar ao final de 2009 com uma taxa de inflação negativa de cerca de 1% e esta quebra da inflação traduz-se num ganho de poder de compra para os trabalhadores. Ou seja, “inflação” quer dizer subida generalizada dos preços, mas o que tivemos (inflação negativa) foi deflação, uma descida generalizada dos preços. Em linguagem que toda a gente entende: Se de um lado temos uma quantidade assustadora de empresas num estado caótico que têm vindo a piorar e que correm o sério risco de fechar, do outro temos muitos trabalhadores que têm uns salários miseráveis mas que têm emprego e que estão, agora, a conseguir comprar mais com o mesmo, … será que vale a pena arriscar -ESTE ANO - a aumentar o SMN?
O Belmiro de Azevedo é um desses tais patrões que pagam salários de miséria e, como se não bastasse, querem voltar ao regime de escravatura, obrigando, desavergonhadamente, o regresso às 60 horas semanais, com o beneplácito do socratismo. Foi assim, explorando os trabalhadores que esse fulano se tornou milionário.
ResponderEliminarConcordo em absoluto
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