Lembrar Abril
Nesta altura do ano surgem sempre os detractores da Revolução de Abril - uma espécie de saudosistas do Estado Novo - pois "antigamente é que era bom", dizem eles. Como se 40 anos de obscurantismo não tivessem atrasado irremediavelmente o País e a Pide fosse uma qualquer organização sócio-cultural! Esta nostalgia serôdia dá náuseas e piora quando falam com desdém do "excesso de liberdade" e da democracia.
Mas será que esta gente não se lembra do que acontecia no tempo do pseudo-estadista? A colagem ao fascismo, as repressões políticas e públicas com a vergonhosa conivência da igreja católica, a censura literária, a educação baseada num nacionalismo bafiento, da interminável Guerra do Ultramar e do obsessivo colonialismo.
Actualmente parece que entramos num processo de regressão pois inauguram-se ruelas com nomes de ditadores existindo também regiões do País que ignoram a data. Convém explicar às gerações futuras que a História não pode voltar a repetir-se e que a morte de homens como Humberto Delgado não pode ter sido em vão.
Meu caro amigo, por certo terás ainda presentes as palavras que escrevi acerca do 25A, que considero uma importantíssima data, na qual comemoramos a nossa Revolução falhada. Falhada porque, apesar de muitos aspectos positivos, não mudou o âmago da questão política em Portugal, que continua, de certa forma, a ser uma ditadura colada aos neo-fascismos e liberalismos que proliferam por esta Europa e por este Mundo fora.
ResponderEliminarNão se lembram as pessoas do que acontecia antes, talvez não por saudosismo político ou social, mas sim porque são muito mais velhas e estão conscientes disso, relembrando uma juventude que não volta mais.
Em relação a haver localidades que ignoram o 25A, bem como outras que nomeiam ruas ou largos com o nome de Salazar, são coisas muito diferentes.
A indiferença é tão legítima como o facto de o 25 de Abril ser associado à liberdade. Há muita gente que não preza a liberdade, prezam antes outros valores que, entendamos, podem ser igualmente válidos.
O nomear dos largos, para mim, é mais do que legítimo. No local em questão, e que é Santa Comba Dão, nasceu Salazar, e não é por gostarmos ou não dele que as gentes de Santa Comba Dão deixam ou não de ter o direito de homenagear alguém saído da terra que chegou ao mais alto cargo da Nação. E aceitarmos isto não representa nenhum aval ao regresso do Fascismo, representa antes a Liberdade de que usufruímos e que não podemos proibir os outros de usufruir. Não és tu ou eu que devemos negar o direito das pessoas de serem parvalhões. se não, corremos nós o risco de o sermos.
Boas...
ResponderEliminarobrigada pela visita ao Histórias.
Não sou defensora da ditadura, nem saudosista do Estado novo, até porque ainda não tinha nascido em 74... e não posso deixar de engolir em cedo quando vejo esse tipo "regressão"... e engolir em seco é a expressão que utilizo porque a democracia também é isso, respeitar as opiniões parvas dos outros...
Mas acho que ninguém gostaria de voltar à triste ditadura Portuguesa...
Agradeço o convite para comentar os seus artigos ,que o farei com muito gosto.
ResponderEliminardermovate
Confesso que não me melindra atribuirem esses nomes às ruelas, mas sim o cada vez mais recorrente comentário que referiu, de que existe excesso de liberdade, uma vez que essa é uma contradição de termos.
ResponderEliminarObrigado pelo comentário.
ResponderEliminarConcordo na totalidade. Penso que com o passar dos anos, e com a substituição natural das gerações, esta "saudade" do velho regime desaparecerá.
Até lá, resta-nos ignorar...