Fartos de futebol
Enquanto o nosso maior tesouro, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, ardeu nos últimos dias mais do que durante todo o ano de 2008, o País continua a acompanhar a saga histérica acerca do futebol e das penalidades duvidosas. Como não bastasse, até títulos "honoris causa" são atribuídos aos futeboleiros interrompendo emissões televisivas para colocação em directo da respectiva entronização! O País, como a floresta, vai ardendo nesta fogueira de vaidades e não vai aparecendo ninguém com outro tipo de méritos que nos possa tirar deste marasmo intelectual. Com a conivência da comunicação social, por momentos esquece-se a crise e o desemprego, substituídos por valores desinteressantes e vulgares. Esta obsessão pelo futebol mostra a tacanhez dum povo que outrora foi esplendoroso e artífice de grandes descobertas.
Para muitos que comem à mesa do orçamento, é importante que a malta como alguém disse ande distraida da realidade, e vislumbre exclusivamente os assuntos que menos interessam para todos.
ResponderEliminarCaro Dylan,
ResponderEliminarParabéns pela crónica. Concordo mas não sou exemplo, falo muitas vezes de futebol. Já tinha lido este teu texto, hoje, num jornal gratuito (não me lembro qual).
Sabes que também adoro futebol e particularmente o nosso clube mas há alturas que já não suporto ouvir falar disto. Parece só isto que interessa aos portugueses numa época em que as condições de vida das pessoas degradam-se à custa do vertiginoso desemprego.
EliminarQualquer dia dou um salto à cidade mais jovem do País para falarmos...
Bem, podemos muito bem ficar fartos de futebol. Mas o futebol está no sangue do povo, vá-se lá saber porquê. Eu adoro futebol. E adoro as rivalidades do futebol. E por mais atento que esteja ao futebol, estou muito atento à situação do país, não é com isso que me distraem.
ResponderEliminarPor isso, penso mesmo é que o povo cada vez mais dá valor às coisas que lhe dizem algo, como filiações clubísticas, em detrimento das vergonhas da nossa política. Claro que também há vergonhas no futebol, não o nego, pelo contrário. Mas são percebidas pelo povo como brincadeiras. Já a política é tão séria, tão formal e tão desenvergonhada que o povo se refere aos políticos, invariavelmente, como "eles". E não nós. Mas refere-se ao seu clube como "nós" e não "eles". Curioso, não?
É uma das razões porque digo que estamos de volta ao passado, em que para distraís o povo, se incentivava o célebre "fado, futebol e Fátima".
ResponderEliminarNão era suposto já existir um plano para combater o flagelo dos incêndios?
Ou está na gaveta?